12 Outubro 2011

Lázaro

Em memória do meu avô


Já sabíamos: "Aquele que amais está enfermo".
Mas não chegamos a tempo.
No caminho entre São Paulo e a Judéia,
pagam-se muitos pedágios.

Para tapar o nariz dos vivos
ante o mau cheiro da morte,
o coveiro besunta de argamassa
a pedra na boca da gruta.

Alguns gritam: "Vem pra fora!"
E pela fé dos soluços,
até acredito que Lázaro acordasse.

As ataduras nas mãos.

E o sudário no rosto,
escondendo cicatrizes frescas:
o enfarto levantou o chão,
com muita violência,
na cara do desalmado.

Agora, o caixão embrulha o corpo.
Mas, e lá dentro?

Quem o corpo embrulha?

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